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Entrevista com o Dr. Jean-Pierre Pelage.

O Dr. Jean-Pierre Pelage é especialista em Radiologia Intervencionista que trabalha no Hospital Larriboisiere em Paris – França e visitou recentemente São Paulo para participar do Simpósio Internacional sobre Miomatose Uterina. O Dr. Pelage contribuiu enormemente para o desenvolvimento da técnica de embolização uterina e é considerado atualmente como uma das maiores autoridades mundiais neste tema. O WebMioma aproveitou a oportunidade para fazer algumas perguntas:

WebMioma: Dr. Pelage, qual é o estado atual do tratamento da miomatose uterina por médio da embolização?
Dr. Pelage: A embolização de miomas começou na França há aproximadamente 10 anos agora, e eu acho que tem se transformado na primeira línea de tratamento para pacientes com miomas sintomáticos em todos os lugares do mundo. Inicialmente a embolização era oferecida como uma alternativa da histerectomia na maioria das mulheres, mas nos dias de hoje a maioria das nossas pacientes são tratadas como uma alternativa das múltiplas miomectomias. Assim, eu acho que as indicações estão mudando e podemos oferecer a embolização como uma alternativa válida em quase 20% das mulheres candidatas à cirurgia e seguramente esta porcentagem ira crescer no futuro.

WebMioma: Como você vê e lida com a reação dos ginecologistas quando vem um radiologista tratando uma doença eminentemente ginecológica?
Dr. Pelage: A reação inicial e quase sempre a mesma, um certo tipo de hostilidade. Ginecologistas ficam preocupados de ver radiologistas oferecendo procedimentos alternativos da cirurgia porque o seu pensamento é: eu vou perder pacientes ..., eu vou ter uma redução dos procedimentos cirúrgicos...., etc.
Porem, a resposta é que este não é o problema; o problema é poder oferecer o melhor tratamento às mulheres; a nossa experiência é que quando você tem uma verdadeira equipe com ginecologistas e radiologistas trabalhando juntos e discutindo as indicações, tudo mundo vai melhorar, tudo mundo vai aumentar sua própria atividade e prática. A razão é que quando se tem um centro altamente especializado capaz de oferecer tudo tipo de tratamento, radiológico ou cirúrgico, as mulheres são encaminhadas de longe somente para consulta e se a paciente não é uma boa candidata para embolização seguramente será operada pelos cirurgiões. Assim, a nossa experiência na França é que os nossos ginecologistas têm aumentado o número de histerectomias que realizam somente porque a embolização é oferecida em nosso centro. Por isso eu acho que isto não deveria ser um problema, todos deveriam estar felizes, ginecologistas e radiologistas trabalhando juntos vão a aumentar suas práticas.

WebMioma: Como o Senhor avalia a contribuição dada pelas empresas do setor para o desenvolvimento da técnica de embolização?
Dr. Pelage: Bom, a industria esta ajudando atualmente e ajudará muito mais no futuro, eu espero, de diferentes maneiras. Primeiro, eu acho que temos mais indicações para a embolização de miomas atualmente devido à melhora da técnica. E estas melhorias técnicas foram possíveis através da colaboração entre radiologistas e a industria. Por exemplo, temos melhores cateteres que no passado, novos, seguros e sofisticados agentes para embolização que fizeram muitas melhoras; por exemplo, a introdução de agentes embolizantes esféricos, como as Embospheras, comparado com outros agentes usados há 10 anos que outorgam maior confiança no tempo de procedimento e provavelmente o tornam mais seguro para as pacientes. Assim, estes são dois verdadeiros e significativos avanços que nos permitem oferecer embolização em maior número de pacientes que anteriormente. A segunda contribuição eu acho é o esforço para ajuda-nos na informação das pacientes, já que em alguns paises aos médicos, como médicos, lhes é difícil fazer divulgação para as pacientes e muitas delas só conhecem as velhas opções de tratamento. E eu acho que a industria esta atualmente nos ajudando produzindo folders, ajudando a organizar congressos, informando a mídia sobre embolização e educação. Por isto eu acho que o rol da industria é claramente muito importante para a educação de ambos, médicos e obviamente pacientes.

WebMioma: Qual é a sua impressão sobre novas alternativas que estão surgindo para tratar miomas como a ultra-sonografia de alta energia guiada por ressonância magnética?
Dr. Pelage: Bem, há muitos novos tratamentos para miomas. Eu acho que a maioria deles são o que chamamos de tratamentos locais. O principio é tratar cada mioma, cada tumor, separadamente. Assim você pode tratar com ultra-som de alta energia, tem sido utilizado Laser ocasionalmente, tem sido tentado crioablação, o seja diferentes técnicas para queimar o tumor, para coagular o tumor ou para congela-lo; diferentes abordagens, mas as limitações, eu acho, são principalmente baseadas no propósito: é um tratamento local. Então se você tem um paciente com múltiplos miomas eu não acho que estas técnicas poderão ser de muita ajuda em oposto a embolização de miomas que é alvejar os vasos, não diretamente o tumor; então a vantagem é que com este tratamento podemos matar, ao menos teoricamente, todos os miomas com um único tiro, porque cortamos o aporte sanguíneo e sabemos que todos os tumores têm a mesma suplência de sangue. Então esta é a diferença entre os tratamentos locais, cirúrgicos ou radiológicos que requerem uma abordagem para cada tumor comparado com o tratamento global do útero que é a embolização. Por isto eu acho que estas diferentes técnicas não competem entre si; há provavelmente indicações diferentes, por exemplo, talvez em mulheres com miomas únicos há um rol para tratamentos locais como o ultra-som de alta freqüência, mas para múltiplos tumores não creio que seria um tratamento de escolha. Esta é a minha opinião.

WebMioma: Dr. Pelage, para onde estamos indo? Qual é o futuro do tratamento da miomatose?
Dr. Pelage: Eu acho que o futuro da embolização é amplo e promissor. Não somente porque faço muito destes procedimentos, mas eu acho que é realmente um avanço para as mulheres, não somente em termos de eficácia clínica já que os procedimentos cirúrgicos são muito efetivos. Mas em termos de estadia hospitalar o que é algo muito importante quando se trata pacientes ao redor dos 40 anos, muitas delas estão trabalhando ou tem crianças, então, quando se pode tratar ficando somente uma noite ou duas noites no hospital é um grande beneficio comparado com o tratamento antigo, o tratamento cirúrgico. A duração da recuperação é também algo muito importante, quando se esta trabalhando 3 ou 4 dias após o tratamento comparado com 3 o 4 semanas após a cirurgia eu acho é um avanço significativo. Então desde que os índices de sucesso permaneçam altos, eu acho que a embolização vai ficar. Assim, teremos que trabalhar em novos desenvolvimentos, novas indicações, melhores indicações. Eu acho que o futuro é a utilização da embolização em pacientes mais jovens do que inicialmente, de novo, inicialmente a embolização era oferecida como alternativa a histerectomia, e eu acho que deverá ser futuramente oferecida como uma valiosa alternativa a uma miomectomia e talvez exista para esta técnica um papel nas pacientes com infertilidade.
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Dr. Nestor Kisilevzky junto do Dr. Pelage durante o Curso Internacional de Miomatose Uterina realizado no Teatro do Hospital Santa Catarina em 28 de Agosto de 2003.